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Delegado federal prende pesquisadores e publicitários de forma arbitrária

Delegado federal prende pesquisadores e publicitários de forma arbitrária

A ação da Polícia Federal na noite desta terça-feira (10) e que resultou na prisão da proprietária da empresa de Pesquisa Centro de Estudos e Pesquisas da Amazônia (Cepam) e de marqueteiros que tinham acabado de realizar uma pesquisa qualitativa do programa eleitoral gratuito de TV veiculado minutos antes, acabou gerando uma enxurrada de fakes news, como se os mesmos fossem cabos eleitorais e estivessem comprando votos em favor do candidato a prefeito, Ricardo Nicolau (Pra Voltar a Acreditar).

Além da prisão dos profissionais de marketing e de pesquisa, as oito pessoas que participaram da pesquisa foram conduzidas à sede da PF como “testemunhas” da falsa denúncia de compra de votos.

Os profissionais – que permaneceram presos das 20h de terça-feira (10) até às 10h da manhã de quarta-feira (11) – foram liberados mediante assinatura de termo de fiança.

Na matéria do Real Time 1 você entende a ação e os desdobramentos do caso. Confira:

Indignação

A empresária Marcia Cruz Gordinho, proprietária empresa de pesquisa reagiu com indignação à abordagem na sede da empresa de sua propriedade.

Em entrevista concedida ao Real Time1 na tarde desta quinta-feira (12), Gordinho classificou a abordagem como arbitrária e desnecessária, “revelando a total falta de conhecimento da atividade profissional de pesquisa pelos policiais federais”, ressaltou.

A realização de pesquisas qualitativas, com a participação de terceiros é regulamentada por Lei e é realizada não somente em período de campanha eleitoral, mas para avaliação de todo e qualquer produto que se queira avaliar.

Segundo a empresária, a PF invadiu de forma violenta a sala 308 do Edifício Atrium, onde a empresa tinha acabado de realizar a pesquisa qualitativa do programa eleitoral gratuito veiculado naquela noite, sob a acusação de que ali teria acontecido compra de voto.

“Fortemente armados, os mais de 10 policiais que participaram da ação não apresentaram sequer mandado de busca e apreensão”, denuncia, lembrando que não houve o suposto flagrante, já que os policiais não presenciaram “compra de votos”, apenas confirmaram que os participantes da pesquisa estavam de posse de R$ 80,00 cada, valor esse recebido pela participação da pesquisa, que normalmente dura em torno de duas horas.

‘Espetáculo

Na opinião da empresária, a ação serviu como artifício para forjar um suposto flagrante, já que a legislação eleitoral proíbe a prisão de eleitores desde a última terça-feira – dia em que aconteceu a abordagem – até 48 horas após o término da votação, exceto em casos de flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto.

“Eles esperaram as oito pessoas que estavam participando da pesquisa descerem nos elevadores e entraram na minha sala. Cheguei a pensar que seriam bandidos”, disse.

“Por que eles esperaram as pessoas descerem com os envelopes nas mãos? Se havia denúncia de compra de votos eles deveriam fazer o flagrante de quem estava “comprando” e de quem estava “recebendo” e isso não aconteceu, justamente porque o valor entregue aos participantes é prática normal a título de participação do processo”, fez questão de ressaltar.

Sem saber do que estava acontecendo no térreo do prédio onde funciona a empresa, ela disse ter sido surpreendida, cinco minutos depois da saída dos participantes da pesquisa, quando ainda conversava com os marqueteiros que contrataram sua empresa para realizar a pesquisa, com uma forte pancada em porta.

“A pancada foi com tanta violência que pensávamos que poderiam ser bandidos. Foi um ‘espetáculo”, desabafou a empresária.

Humilhação

“Foi uma humilhação inclusive com as pessoas que passaram o dia preparando-se para a pesquisa”, fez questão de ressaltar.

“O delegado passou mais de três horas com as testemunhas porque ele queria obrigá-las a falar o que não aconteceu. Estou indignada e me sentindo humilhada”, declarou a profissional reconhecida na área e que há cerca de 25 anos trabalha com pesquisa atendendo clientes nacionais e até mesmo internacionais nas mais diversas áreas.

Além da humilhação dos funcionários e participantes da pesquisa, Marcia afirma que está impossibilitada de trabalhar, já que equipamentos, computadores e celulares pessoais e da empresa foram recolhidos pela Polícia Federal.

“Convidei os policiais a assistirem os vídeos da pesquisa mas eles não quiseram. Preferiram deixar minha empresa ‘no zero’. Levaram meus computadores, meus celulares e me levaram também”, acusou.

Prisões

Na ação realizada pela Polícia Federal, além de Márcia da Cruz Gordinho, foram presos Rodolfo Vieira de Melo da Costa Pinto, Victor Ramos de Carvalho e Maria dos Prazeres Maia dos Santos.

O delegado Fábio Sandro Pessoa Pegado foi o responsável por efetuar as prisões, que foram confirmadas pelo delegado Ângelo Solano de Melo Sampaio.

Eles teriam recebido informações a respeito das reuniões realizadas no edifício Atrium (que na realidade tratavam-se das pesquisas qualitativas), e suspeitou que poderia de tratar de compra de votos por pessoas ligadas à campanha de Nicolau

No auto de prisão em flagrante consta que os presos foram “surpreendidos logo após ter sido feita a entrega de dinheiro a eleitores” e que “haviam participado de uma reunião conduzida por pessoas contratadas para promover a campanha do candidato à Prefeitura de Manaus Ricardo Nicolau”.

Coligação se pronuncia

Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, a Coligação ‘Pra Voltar a Acreditar’ trata o episódio como “confusão” e “fake news” e “repudia a criminalização do trabalho de um instituto de pesquisa. Como é prática mundial, nas pesquisas qualitativas não há indução e muito menos pedido de votos”.

Ainda segundo a nota, a coligação está “atuando junto à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal a fim de restabelecer a verdade e evitar que essa ação anônima siga tentando macular a credibilidade e idoneidade de nossa campanha”.

 

Fonte: Real Time 1

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