Em Manaus, violência contra idosos cresce durante a pandemia

Em Manaus, violência contra idosos cresce durante a pandemia

Em Manaus, violência contra idosos cresce durante a pandemia

Não é de hoje que os idosos sofrem com diversos tipos de violência, muitas vezes praticadas pelos próprios familiares ou instituições onde vivem. Na pandemia o número de casos se agravou. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) foram registrados em todas as delegacias de Manaus, 3,6 mil crimes contra o idoso, enquanto no mesmo período em 2019, esse número era de 3,1 mil. O aumento ocorreu, em grande parte, pelo isolamento social gerado pela pandemia do novo coronavirus.

Segundo a delegada Andréa Nascimento Pereira, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (DECCI), houve um aumento significativo nas violências praticadas no ambiente familiar, por conta do isolamento e distanciamento. As relações familiares se intensificaram e a violência cresceu. Ameaças, injúrias e até vias de fato foram registrados.

A velhice é banalizada pela geração que hipervaloriza a juventude, sendo o segundo grupo social mais vulnerável à violência. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas com mais de 60 anos já somam 13% da população brasileira e a tendência é que esse número cresça até 2030.

Existem diversos tipos de violência contra a pessoa idosa. A física, quando o idoso é forçado a fazer algo contra sua vontade, sendo agredido; emocional, quando o idoso é coagido com xingamentos e atitudes que prejudiquem seu bem-estar psicológico ou também algum tipo de constrangimento; material ou financeira, que é quando ocorre uma exploração imprópria de bens, materiais ou não, pertencentes ao idoso, sem seu consentimento; sexual, quando o idoso é aliciado ou explorado sexualmente, sendo obrigado a ter práticas eróticas hetero ou homonormativas por seu responsável.

Há ainda a negligência, quando o idoso deixa de receber cuidados básicos como higiene, saúde e proteção. E o abandono, o mais extremo dos casos de negligência, que é quando ocorre ausência ou omissão total pela pessoa idosa, do responsável ou órgãos governamentais.

Em 2006, foi implantado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, pela ONU e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa (INPES), no dia 15 de junho. A data é marcada para lembrar mundialmente a oposição aos maus-tratos contra os mais velhos.

De acordo com o Disque Direitos Humanos (Disque 100), o tipo de violação contra pessoas idosas que concentra o maior volume de queixas é a negligência, com 38 mil registros, quase 80% do total, seguida de violência psicológica (24%), abuso financeiro (20%), violência física (12%) e violência institucional (2%), com um aumento de 13% no número de denúncias em relação ao ano anterior.

De acordo com a delegada Andréa Nascimento, é imprescindível observar e escutar a vítima para identificar o tipo de agressão. “Esses abusos podem afetar a vida dos idosos com mudanças de personalidade e comportamento, que podem apresentar sinais como demência, tristeza e depressão”, diz.

Segundo a diretora-presidente da Fundação Doutor Thomas, Martha Moutinho, tal política é adotada pelo município com rigor, no entanto, cabe às famílias fazerem o papel maior de acolhida. “Devido ao aumento no número de violência nesse período de isolamento social, a Prefeitura de Manaus intensificou as medidas de prevenção para o público da terceira idade. Tudo está sendo feito na medida do possível, mas a prioridade agora é proteger os idosos para que logo possamos passar por tudo isso e voltar à normalidade”.

Atenção e respeito podem ajudar a mudar o cenário

Para a geriatra Alcineide Siqueira Correia, a violência contra idosos só diminuirá no País se houver atenção e respeito de todos. Não se trata apenas de deixar de cometer violência, seja física, psicológica ou financeira, mas também de aprender a enxergar e denunciar as atitudes ruins, mesmo que elas não sejam claras.

“Não é porque o idoso tem mais vivência que consegue passar por cima das agressões que viveu com facilidade. Pelo contrário. O idoso é mais frágil tanto física quanto psicologicamente. Porque a pessoa primeiro perde o posto de provedor da família quando se aposenta, depois não é mais quem dá ordens e, de repente, suas opiniões perdem a validade. É um processo difícil para ainda ter que lidar com isso”, comenta.

Como denunciar

Para denúncias junto à Delegacia Especializada em Crimes contra o Idoso (DECCI), basta entrar em contato por meio do (92) 3214-5800, ou usar outros canais como os disque-denúncias 100 e 181, além do site Delegacia Interativa (www.delegaciainterativa.am.gov.br).

Fonte: Em tempo 

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