Você está visualizando atualmente Gastos públicos: Amazonas lidera ranking de maiores gastos com aluguel de aviões

Gastos públicos: Amazonas lidera ranking de maiores gastos com aluguel de aviões

Gastos públicos: Amazonas lidera ranking de maiores gastos com aluguel de aviões

As despesas dos senadores e deputados com aluguel de aviões e restaurantes continuam altas, mas já foram maiores. Levantamentos das prestações de contas dos últimos 10 anos mostram gastos extravagantes.

Um deputado gastou R$ 246 mil num prazo de apenas 15 dias com oito fretamentos de aeronaves no Amazonas, em 2014. Um senador torrou R$ 11 mil num jantar para parentes, amigos e políticos no restaurante Porcão, em Brasília, em 2013. Outro pagou R$ 6,8 mil numa refeição do restaurante Coco Bambu, em Brasília, em 2011. Tudo pago com dinheiro público. Os valores da reportagem foram atualizados pela inflação.

A transparência na divulgação dos gastos dos parlamentares aumentou nos últimos anos. A Câmara divulga as despesas dos deputados desde 2009. No Senado, começou em 2012.

A partir de 2014, a Câmara passou a divulgar também as notas fiscais, o que permite conferir o detalhamento dos gastos. O Senado divulga passou a divulgar as notas a partir de julho do ano passado. A transparência barrou os gastos mais abusivos.

Mesmo sem os detalhes, algumas despesas impressionam pelo valor e pela quantidade.

Gastos nas alturas

Durante 15 dias, em outubro de 2014, o então deputado Sabino Castelo Branco (PTB-AM) visitou 10 cidades do Amazonas em dois aviões na Manaus Aerotáxi. Entre as cidades visitadas estavam Tabatinga, São Gabriel, Tefé e Parintins. O deputado realizou reuniões políticas e visitou obras, como sempre faz. Na volta, apresentou a nota fiscal à Câmara, no valor de R$ 184 mil. Em valores atualizados pela inflação, são R$ 246 mil.

Sabino fez mais três despesas elevadas em dezembro de 2013 e em março e dezembro de 2014, nos valores de R$ 121 mil, R$ 86 mil e R$ 112 mil, respectivamente. Porém, essas notas não estão disponíveis. Num período de 14 meses, ele gastou R$ 722 mil com fretamento de aeronaves.

Silas Câmara (Republicanos-AM) fretou um avião Caravan, da Aeronaves Táxi Aéreo, em 26 de janeiro de 2018, e visitou 18 cidades do Amazonas. A despesa ficou em R$ 78 mil. Em junho de 2014, gastou mais R$ 92 mil com a Parintins Táxi Aéreo. De 2014 a 2020, investiu R$ 770 mil (valor nominal) com aluguel de aeronaves. O deputado Eliene Lima fez uma despena de R$ 112 mil no fretamento de um avião em abril de 2014. A nota fiscal não está disponível.

Quem mais gastou com aluguel de aviões foi Átila Lins (PP-AM), num total de R$ 1,4 milhão (valor nominal).  Foram 128 locações do final de 2013 a 2020. Mas a maior despesa ficou em R$ 37 mil, feita em dezembro de 2014. Ele alugou uma aeronave Caravan Anfíbio para se deslocar até Tonantins (AM). A sua assessoria afirma que ele faz muitas locações por um motivo muito simples: o Amazonas não tem estradas. Para chegar a alguns municípios, ele levaria 15 dias de barco. Nessas localidades, ele visita obras e faz reuniões políticas.

O maior gasto foi feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), no ano passado. Ele fretou um avião por R$ 69 mil para visitar suas bases eleitorais no Carnaval, em março. Pressionado por pedidos de informação que solicitavam as notas fiscais das despesas dos senadores, Alcolumbre determinou a quebra desse sigilo a partir de julho naquele ano.

Banquete de 11 salários mínimos

Em 3 de março de 2013, o então senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ex-governador da Paraíba, recebeu familiares, amigos e autoridades na churrascaria Porcão, em Brasília. O banquete custou R$ 11 mil aos cofres públicos.

O valor, na época – R$ 7,5 mil –, equivalia a 11 salários mínimos. Na noite anterior, muitos dos convidados haviam participado da homenagem ao ex-senador e ex-governador Ronaldo Cunha Lima, pai de Cássio, no plenário do Senado. Familiares e amigos do senador vieram da Paraíba para os eventos.

Em dezembro de 2011, o senador Mozarildo Cavalcanti (RR) já havia financiado um banquete no valor de R$ 4,8 mil na churrascaria Porcão. Em novembro de 2010, torrou mais R$ 2,7 mil no restaurante Dom Francisco. No mesmo, restaurante, Ruben Figueiró (MS) pagou R$ 2,8 mil por uma refeição em agosto de 2014.

Lideranças aderem aos banquetes

Somente a Liderança do PSDB na Câmara gastou R$ 47 mil (em valores nominais) com 31 refeições do Coco Bambu, entre 2013 e 2019 – uma média de R$ 1,5 mil. As maiores despesas foram feitas em 2013. Em fevereiro daquele ano, a nota fiscal chegou a R$ 4,3 mil – 6,5 salários mínimos. Em julho, a despesa ficou em R$ 3,6 mil. Em nove anos, a liderança tucana gastou R$ 372 mil em refeições.

A Liderança do PT teve despesas ainda mais elevadas com alimentação. Pelo menos seis notas fiscais ficaram em torno de R$ 6,5 mil, quase todas emitidas pelo C Park Restaurante. O maior valor foi de uma refeição em março de 2013 – R$ 7,3 mil – quase 11 salários mínimos na época. A liderança também comprou refeições no Bar do Alemão e Lake Side Apart Hotel. Ao todo, a liderança petista gastou R$ 411 mil em refeições.

Lideranças justificam banquetes

A Liderança do PT afirmou ao blog que “o ritmo intenso dos trabalhos legislativos impôs à bancada a realização de reuniões frequentes, muitas vezes realizadas no horário das refeições a fim de melhor aproveitar o tempo dos parlamentares. Junto com a nota fiscal, segue a relação dos parlamentares que participaram da reunião de trabalho”.

Informou ainda que os recursos para essas refeições foram cedidos pelos vice-líderes – um a cada quatro deputados. Eles podem ceder à respectiva liderança o adicional previsto no Ato da Mesa que criou a Cota para o Exercício do Mandato, para atendimento das despesas de interesse coletivo da bancada. O PT contou com 88 e 70 deputados nas duas últimas legislaturas.

A liderança do PSDB disse que as notas fiscais referem-se a almoços servidos durante reuniões da bancada, que variou entre 33 e 50 deputados nas duas legislaturas em questão. “A maioria destes encontros ocorreu na sala de reuniões da Liderança do PSDB. Em todos, foram analisadas as matérias da pauta legislativa, com a presença de autoridades do Governo Federal, governadores e relatores de matérias em tramitação”.

Ressaltou ainda que os recursos utilizados são relativos aos valores que os vice-líderes recebem e destinam para gastos da Liderança, “não representando despesa adicional para a Câmara”.

Os campeões de gastos foram procurados pelo blog, mas a maioria não respondeu aos questionamentos ou não foi encontrada. As totalizações de dados foram feitas com o uso de filtros do site Operação Política Supervisionada, que acessa e disponibiliza ao público os registros da Câmara e do Senado.

 

Deixe um comentário