Virologista da Fiocruz diz que nova variante do coronavírus pode chegar ao Amazonas

Virologista da Fiocruz diz que nova variante do coronavírus pode chegar ao Amazonas

Virologista da Fiocruz diz que nova variante do coronavírus pode chegar ao Amazonas

A nova variante do coronavírus – que fez o Reino Unido suspender o Natal e levou países europeus a fecharem suas fronteiras para proibir a entrada dos ingleses – pode chegar ao Amazonas. É o que acredita o virologista e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca. Para evitar essa situação, seria necessário monitorar a pandemia com maior precisão no estado.

Anúncios

“Existe uma possibilidade, por isso temos que ficar monitorando. Aqui no Amazonas já identificamos oito linhagens, mas existem centenas no mundo todo. Todas são derivadas de duas linhagens principais, chamadas de A e B”, explicou.

Já para o epidemiologista Jesem Orellana, a pouca aplicação de testes RT-PCR dificulta a identificação de novas tipagens do coronavírus no Amazonas. Segundo ele, o número de exames realizados é insuficiente, inclusive, para cravar que existem os oito tipos de linhagens do vírus em circulação em todo o estado.

“A realização desses testes é o grande problema do Brasil e em especial no Amazonas. Os boletins da Secretaria de Saúde mostram o número irrisórios de testes RT-PCR feitos no estado. Inclusive, esse número caiu ainda mais em junho e julho, voltou a subir em agosto, setembro e outubro, e agora caiu novamente para menos de 5 mil testes, um valor muito pequeno para uma população de aproximadamente quatro milhões de indivíduos”, disse Orellana.

Até o domingo (20), já foram realizados, em todo o Amazonas, 59.795 testes RT-PCR. Desses, apenas 18.616 tiveram resultado positivo e outros 41.179 negativos. Os dados são da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS-AM). Já segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada do estado em 2020, é de 4.207.714 pessoas.

Orellana também explicou que a falta de testagem pode não mostrar a verdadeira realidade da pandemia no estado. Segundo o pesquisador, para evitar isso é necessário expandir o trabalho da vigilância laboratorial para o interior do estado. Ele também falou sobre os estudos que identificaram as linhagens do vírus na capital.

“Você só consegue identificar a quantidade de vírus circulantes, a variabilidade, onde predominam, quando você tem uma vigilância laboratorial funcionando em todo o estado. Quando você tem uma vigilância funcionando precariamente somente na capital, é impossível você falar, com certeza, que tem oito linhagens de vírus em circulação. Você tem um estudo da própria Fiocruz que avalia esses oito tipos de linhagens do vírus no estado. Mas essa pesquisa foi feita com base nas amostras do estado, mas não representam o estado. Sequer sabemos se elas também representam Manaus”.

Já Naveca detalhou como acontece a mutação do vírus e reforçou os cuidados que a população deve manter para evitar uma maior contaminação por uma possível nova cepa.

“Quanto mais um vírus infecta um hospedeiro, maior o número de ciclos replicativos e, assim, maior a chance de sofrer mutações. Assim, existe a chance de quanto mais pessoas forem infectadas, maior a chance de seleção de linhagens mais adaptadas ao homem. Ou seja, quando você faz distanciamento social você não só se previne de ser infectado, como também ajuda a desacelerar a evolução natural do vírus”, detalhou.

Questionados pelo G1 sobre a possibilidade do clima amazônico ser um fator de propagação ainda maior dessa nova ramificação do vírus encontrado no Reino Unido, ambos descartaram a possibilidade. No entanto, virologista alertou que é o chamado inverno amazônico pode levar a uma circulação mais rápida de qualquer vírus respiratório.

Deixe um comentário