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Artigo | Futuro sombrio aos amazonenses diante das ameaças à Zona Franca

Artigo | Futuro sombrio aos amazonenses diante das ameaças à Zona Franca

Arthur Virgílio Neto

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Neste domingo, primeiro de maio, celebramos o Dia do Trabalhador. Celebramos? Não sei até que ponto podemos dizer que sim, pois o Brasil tem, aproximadamente, 14 milhões de desempregados, ou seja, pessoas que perderam seus postos de trabalho nos últimos anos. O nível de pobreza e de extrema pobreza também aumenta em escala desesperadora, atingindo um quarto da população brasileira. E a inflação só aumenta, reduzindo os recursos para levar comida à mesa do brasileiro.

No Amazonas, a situação é ainda mais grave. Às vésperas do Dia do Trabalhador, nos deparamos com mais dois decretos do governo federal que podem colocar uma pá de cal nas esperanças de que o futuro imediato seja melhor. As ameaças que vinham sendo feitas há meses se concretizaram, com duas canetadas.

A redução do IPI, agora em 35%, para os produtos que são fabricados na Zona Franca de Manaus extrapola qualquer limite de resistência que nossas empresas possam ter para garantir a competitividade no mercado nacional. Se já estava ruim com a redução de 25%, agora é um tiro mortal em, aproximadamente, 500 mil empregos diretos, indiretos e induzidos que o nosso Polo Industrial proporciona.

Ainda mais estarrecedor é ter zerado o IPI para a indústria de concentrados. O segmento que fatura por ano, aproximadamente, R$ 9,5 bilhões e gera 7,3 mil empregos. Grandes empresas como a Coca-Cola e Ambev podem arrumar suas malas e deixar a ZFM, a exemplo do que já ocorreu com a Pepsi, quando houve redução do IPI em anos anteriores.

O impacto no interior, que já é tão desprotegido e sem perspectiva de emprego é gigantesco, porque, além das perdas diretas, essa fatura também vai ser paga por estados e municípios, com redução significativa nos repasses constitucionais – se o governo está abrindo mão de imposto, obviamente a fatia de arrecadação a ser transferida para os entes federativos também será menor.

O Amazonas vai de mal a pior e a nossa Zona Franca está à beira do abismo. Essas medidas equivocadas não ajudam a economia do país, como insistem em dizer. Ao contrário, aumenta ainda mais a inflação e, no meu Estado, vai aumentar o desemprego, a fome e, não duvidem, vai refletir também sobre a floresta.

Precisamos de fôlego e de muita disposição para lutar. Precisamos, definitivamente, de esperança, porque o que se vislumbra diante dos últimos movimentos nos deixa mais que preocupados com o futuro do Amazonas.

 

Sobre o autor

É diretor do Núcleo de Educação Política e Renovação do Centro Preparatório Jurídico. Foi por 20 anos deputado federal e senador, líder por duas vezes do governo Fernando Henrique, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, líder das oposições no Senado por oito anos seguidos e três vezes prefeito da capital da Amazônia.

Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião do Direto ao Ponto.

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