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10 perguntas e respostas sobre a ômicron

10 perguntas e respostas sobre a ômicron

Diante das inúmeras dúvidas acerca da variante ômicron, que vem causando milhões de casos de covid-19 no mundo nas últimas semanas, é importante ressaltar o que já sabemos sobre a nova variante.

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A seguir, as dez principais perguntas e respostas:

1) É possível saber se a ômicron causa quadros menos graves, como vem sendo afirmado?

Um estudo conduzido na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com animais de laboratório e ainda não revisado por pares (isto é, outros especialistas não envolvidos na pesquisa) revelou que a variante invade menos os pulmões, o que causaria doença menos grave. Importante ressaltar, contudo, que animais de laboratório e seres humanos têm diferenças biológicas consideráveis.

Há outras evidências de que a ômicron causa quadros mais leves de covid. Um estudo, ainda em pré-print (ou seja, que também não foi revisado por outros especialistas não envolvidos na pesquisa, e também não foi publicado em um periódico científico) e conduzido na África do Sul, mostrou que pacientes com a nova variante tinham 80% menos risco de serem hospitalizados do que os que contraíram as demais variantes. Entre os pacientes internados, a probabilidade de desenvolver complicações era 30% menor.

Outro estudo, também em pré-print e realizado por pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, indicou que a ômicron está associada a uma redução de 2/3 no risco de hospitalização, quando comparada à delta.

Médicos do mundo todo também têm relatado que os pacientes com a ômicron estão desenvolvendo quadros menos severos, mas é difícil saber se isso se deve ao fato de a variante ser menos virulenta ou porque há muita gente com imunidade prévia, seja pela vacina ou por infecções anteriores.

Ainda são necessárias mais pesquisas para entender os mecanismos pelos quais a ômicron está causando quadros menos graves.

De toda forma, a variante tem potencial de causar doença grave e morte, em especial nos pacientes não vacinados e nos mais vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos.

2) A ômicron escapa das vacinas? 

Um estudo conduzido pela Columbia University, nos Estados Unidos, e publicado na revista Nature revelou que as quatro vacinas mais amplamente utilizadas no mundo (Pfizer, Moderna, Janssen e AstraZeneca) são bem menos eficazes na neutralização da ômicron, quando comparadas com outras variantes.

Os anticorpos de pessoas que já tiveram covid-19 anteriormente também protegem menos contra a infecção pela ômicron.

Isso, no entanto, não significa que as vacinas não continuem protegendo contra hospitalizações e óbitos.

3) Se mesmo pessoas vacinadas contraem a ômicron, a vacina ainda é necessária? 

Sim, já está comprovado que as vacinas reduzem o risco de hospitalizações e óbito, embora não protejam 100% contra a infecção. A ômicron tem se mostrado capaz de contaminar vacinados, mas ainda assim, as vacinas protegem contra quadro graves. Basta observar que a taxa de óbitos não tem acompanhado a de casos novos, como ocorreu em outros momentos da pandemia, quando ainda não havia um número alto de vacinados no mundo.

De acordo com o FDA (agência reguladora dos EUA, equivalente à Anvisa brasileira), três doses das vacinas aumentam a proteção contra desfechos graves, principalmente diante da ômicron. Segundo o CDC americano (centro de controle de doenças), são necessárias 3 doses das vacinas para maior proteção contra a covid-19.

No Brasil, o Ministério da Saúde passou a recomendar a terceira dose 4 meses após a segunda dose, para todos os adultos acima de 18 anos.

4) A ômicron é mais contagiosa mesmo? 

Dados do estudo realizado na Escócia e já citado anteriormente revelam que há 10 vezes mais risco de reinfecção com a ômicron do que com a delta.

Além disso, um estudo francês ainda em pré-print analisou mais de 100 mil testes e revelou que a ômicron é 105% mais contagiosa que a delta.

A média móvel de casos novos na última semana no mundo foi de mais de 2,5 milhões. Nunca houve, na história da pandemia, tantas pessoas contaminadas pelo Sars-CoV-2 ao mesmo tempo como nas últimas semanas.

5) Crianças são mais vulneráveis à infecção pela ômicron? 

A variante pode contaminar pessoas de todas as idades, mas como as crianças de muitos países, incluindo o Brasil, ainda não estão totalmente vacinadas, é esperado um número alto de infectados entre os mais novos, em especial abaixo de 12 anos.

Nos Estados Unidos, que já vacinam crianças entre 5 e 11 anos desde novembro, a média de internações de crianças com covid está em torno de 800 por dia.

É preciso que não haja dúvidas: embora as crianças tenham menos risco de desenvolver quadros graves de covid-19, elas podem, sim, ficar gravemente doentes e até morrer, por isso é essencial vaciná-las assim que possível. Além disso, crianças vacinadas também protegem adultos vulneráveis e ajudam a frear a disseminação do vírus.

6) Qual o período de isolamento recomendado para quem teve covid? 

Esse assunto tem gerado confusão porque não há consenso entre os especialistas, já que faltam evidências robustas que determinem o período no qual o vírus ainda pode ser transmitido. Nos EUA, o CDC determinou que infectados podem deixar o isolamento 5 dias após o início dos sintomas, se não apresentarem mais sintomas e febres há ao menos 24 horas.

No Canadá e na França, o período de isolamento é de 7 dias.

No Brasil, o Ministério da Saúde reduziu de 10 para 7 dias o período de isolamento, desde que a pessoa não apresente sintomas respiratórios nem febre (sem uso de antitérmicos) há no mínimo 24 horas.

Aquele que não tiver mais sintomas após o 5º dia pode deixar o isolamento se realizar teste (RT-PCR ou teste rápido de antígeno) com resultado negativo.

Quem ainda apresentar sintomas depois do 7º dia do início dos sintomas deve fazer teste. Em caso de resultado negativo, a pessoa deve aguardar 24 horas sem sintomas respiratórios e sem febre para deixar o isolamento. Se o exame for positivo, deverá ficar em isolamento por pelo menos 10 dias após o início dos sintomas, sendo liberado do isolamento desde que não apresente sintomas respiratórios e febre há pelo menos 24h. Não há necessidade de realizar outro teste, nesse caso.

Um estudo japonês mostrou que 50% das pessoas ainda ficam com o vírus viável entre o 3º e o 6º após o começo dos sintomas. O estudo, no entanto, ainda está em pré-print e foi realizado com um número pequeno de participantes, mas reforça os argumentos daqueles que afirmam não ser prudente reduzir o período de isolamento.

7) Se sou vacinado e, portanto, corro menos risco de desenvolver quadro grave, não é melhor pegar a doença logo? 

Muita gente pensa que, como vacinados têm menos risco de desenvolver quadro grave, o melhor a fazer é pegar a doença o mais rápido possível.

Essa ideia é errada por vários motivos. Primeiro, o fato de vacinados apresentarem risco bem menor de hospitalização não significa que você não ficará doente. Não é possível saber, de antemão, se seu sistema imunológico reagirá bem em caso de infecção. Além disso, você ainda corre o risco de desenvolver covid longa e de passar o vírus para outras pessoas.

A imunidade da covid-19 também não é duradoura, portanto você estará vulnerável a contrair a doença algum tempo depois.

Outro problema é que muita gente doente ao mesmo tempo sobrecarrega o sistema de saúde, pois aumentam os casos de pessoas que precisam de atendimento nos prontos-socorros e UBS e de internação.

8) É possível pegar gripe e covid ao mesmo tempo? 

Sim. Embora esteja sendo chamada informalmente de “flurona”, não é recomendado usar esse nome para se referir à infecção concomitante pelo Sars-CoV-2 e o influenza, que causam covid e gripe, respectivamente, pois a dupla infecção não provoca uma doença nova.

Infecções por mais de um vírus respiratórios não são algo raro, tampouco implicam, necessariamente, uma doença mais grave.

9) É possível saber se tenho covid-19 ou gripe apenas com base nos sintomas? 

Embora haja diferenças entre as duas doenças, não é possível afirmar com certeza se uma pessoa está com covid ou gripe, já que os vírus que provocam as duas doenças estão circulando no país.

Se você apresentar sintomas de síndrome gripal, faça o teste para saber se é covid-19 e mantenha o isolamento recomendado.

10) A ômicron vai acabar com a pandemia? 

Não é possível prever a evolução da pandemia, mas sabemos que quanto maior o número de infectados, maior o risco de surgirem novas variantes. Assim, para frear a pandemia é preciso frear a disseminação do vírus. Para isso, há vacinas e medidas não farmacológicas, como manter distanciamento físico, usar máscara e evitar aglomerações que devem ser praticadas em conjunto.

Fonte: UOL

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