CPI mantém relatório para dia 20 e Renan confirma Bolsonaro como indiciado

CPI mantém relatório para dia 20 e Renan confirma Bolsonaro como indiciado

CPI mantém relatório para dia 20 e Renan confirma Bolsonaro como indiciado

A CPI da Covid do Senado terá a conclusão dos seus trabalhos no próximo dia 20, com a votação do relatório final da investigação. A confirmação foi feita pelo relator do colegiado, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), em entrevista coletiva antes da sessão da comissão desta terça-feira (5). Na mesma entrevista, Calheiros indicou que o presidente Jair Bolsonaro será um dos indiciados no relatório.

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“Não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório”, disse o relator. O senador afirmou também que o indiciamento deve ser expandido a membros dos gabinete “paralelo” e “do ódio”, estruturas que funcionariam de modo informal para, respectivamente, prestar auxílio a Bolsonaro em questões sobre a pandemia e disseminar informações controversas acerca do coronavírus e da Covid-19.

A CPI ouve nesta terça (5) o executivo Raimundo Nonato Brasil, diretor da empresa VTC Log, que tem contratos com o Ministério da Saúde, em negociações com suspeitas de superfaturamento e privilégios. Nos últimos anos, a VTC Log fechou contratos com o Ministério orçados em R$ 400 milhões.

O vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), declarou que o depoimento de Nonato encerra a série de investigações da comissão sobre corrupção. Na quarta-feira (6), a CPI receberá o presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello.

A comissão desistiu de promover encontros presenciais com os ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Paulo Guedes (Economia), por conta de dificuldades de calendário. Em substituição às reuniões, a CPI enviará questionários a ambos. A expectativa em relação a Queiroga é ouvir dele sobre o planejamento para a vacinação de crianças e adolescentes ainda neste ano e a da população geral em 2022.

Já Guedes teve o depoimento presencial na CPI descartado também por conta do caso das offshores, que fez com que a investigação sobre ele fosse direcionada a outros órgãos do Senado. A CPI havia manifestado interesse em apurar informações ligadas a Guedes após a advogada Bruna Morato, que representa médicos que trabalharam para a empresa Prevent Senior, afirmar que o Ministério da Economia também teria conexões com o “gabinete paralelo”, algo que não havia sido abordado pela comissão até então.

Senadores questionam executivo sobre números da VTC Log

Ao longo do depoimento de Nonato à CPI, que ainda está em curso, os senadores expuseram informações sobre as negociações firmadas entre a empresa e o Ministério da Saúde. O relator Renan Calheiros e o senador Humberto Costa (PT-PE) destacaram que a VTC Log começou a operar serviços de logística para o Ministério após o então titular da pasta, o atual deputado Ricardo Barros, determinar a extinção de um departamento responsável pela atividade. Barros foi ministro da Saúde entre 2016 e 2018, ao longo da gestão de Michel Temer (MDB). Nonato disse que ele e a empresa não mantém relação com Barros e que ele desconhece o deputado.

Parlamentares também questionaram o fato de a VTC Log ter sido contemplada com contratos sem licitação firmados no mesmo período. Os senadores destacaram que não existia a pandemia de coronavírus na época das contratações e, portanto, não havia a necessidade do estabelecimento de contratos de urgência. Nonato disse que a empresa teve suas atividades fiscalizadas por órgãos de controle.

O vinculo entre a VTC Log e Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, foi explorado pelos parlamentares. Senadores mencionaram que Dias tem dívidas para com a empresa, referente à compra de passagens aéreas, e relembraram que ele teve um boleto particular pago com recursos da empresa. Dias falou à CPI em julho e foi preso pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), sob a acusação de ter mentido ao colegiado. O ex-diretor foi um dos participantes do “jantar da propina”, encontro em que membros do Ministério da Saúde e integrantes da empresa Davati teriam negociado a compra de vacinas pelo poder público mediante o pagamento de vantagens indevidas.

Fonte: Gazeta do Povo

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