Inflação dos mais pobres tem maior alta para setembro desde 1994

Inflação dos mais pobres tem maior alta para setembro desde 1994

Inflação dos mais pobres tem maior alta para setembro desde 1994

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A inflação medida pelo IPCA acelerou e subiu 1,16% em setembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. É a maior taxa para o mês em 27 anos.

Em setembro daquele ano, o índice ficou em 1,53%. Na época, os preços ainda refletiam o final do período de hiperinflação, uma vez que o Plano Real havia entrado em vigor apenas dois meses antes, em julho.

A escalada dos preços já faz o brasileiro conviver com uma inflação de dois dígitos – algo que não ocorria desde fevereiro de 2016, quando o indicador chegou a 10,36%. Agora, a alta acumulada em 12 meses é de 10,25%.

Analistas consultados pela Reuters projetavam aumento de 1,25% no mês e avanço de 10,33% em 12 meses. Energia elétrica sobe 6,47%. Dos nove grupos pesquisados, oito subiram em setembro. O destaque foi o grupo Habitação (2,56%), puxado pelo aumento de 6,47% na conta de energia elétrica, por conta da crise hídrica.

O item teve o maior impacto individual no índice no mês e acumula alta de 28,82% em 12 meses. A entrada da bandeira Escassez hídrica, que passou a vigorar no dia 1º do mês, adicionou uma sobretaxa de R$ 14,20 a cada 100 kWh.

Com perspectiva de ficar em vigor até abril de 2021, a conta de luz tem pesado no orçamento das famílias. Além disso, houve reajustes tarifários no mês em Belém, Vitória e São Luís. Outro item que pesou no indicador foi o gás de botijão. Os preços do GLP subiram 3,91% em setembro.

“A gente tem observado uma sequência de aumentos do GLP (gás liquefeito de petróleo) nas refinarias pela Petrobras. Há ainda os reajustes aplicados pelas distribuidoras. Com isso, o preço para o consumidor final tem aumentado a cada mês. Já foram 16 altas consecutivas. Em 12 meses, o gás acumula aumentos de 34,67%”, detalha o gerente da pesquisa do IPCA, Pedro Kislanov.

Gasolina tem alta de 39,60% em 12 meses

O segundo maior destaque foi o grupo Transportes, que subiu 1,82%, e acelerou, mais uma vez, por conta dos combustíveis. A gasolina teve o preço elevado em 2,32% e os demais também apresentaram alta: etanol (3,79%), gás veicular (0,68%) e óleo diesel (0,67%).

Em 12 meses, a gasolina já aumentou 39,60% e o etanol, 64,77%. O preço do etanol acaba pesando no da gasolina, pois esta é vendida no Brasil com um percentual de mistura vindo do combustível da cana-de-açúcar

A alta dos combustíveis provoca um efeito cascata. Os preços das passagens aéreas, por exemplo, subiram 28,19% em setembro e tiveram a maior alta entre os itens não alimentícios no mês. O preço dos bilhetes havia recuado em agosto.

Os aviões usam o querosene de aviação como combustível, cujo preço está atrelado à cotação internacional do petróleo, e esta vem subindo nas últimas semanas. A alta da commodity e do dólar são também os principais fatores que explicam os reajustes da gasolina.

Os preços dos transportes por aplicativo também avançaram: a alta foi de 9,18% em setembro, após 3,06% no mês anterior.

Os dados mostram que a inflação em 12 meses continua acelerando e permanece bem acima do teto da meta estabelecida para o ano pelo Banco Central, de 5,25%.

Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as projeções do mercado, indica que as expectativas para a inflação deste ano sobem pela 26ª semana seguida. Há um mês, estava em 7,7%. Agora já se espera que a inflação encerre o ano em 8,7%.

A piora do cenário inflacionário também contamina as expectativas para 2022. É a 11ª semana seguida em que o mercado revisa para sua projeção, chegando a 4,14%.

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