Universidades federais reagem ao corte de verba do governo

Universidades federais reagem ao corte de verba do governo

Universidades federais reagem ao corte do governo

 

As instituições federais de ensino reagiram ao anúncio do governo de bloquear 30% dos orçamentos para 2019. Muitas fizeram os cálculos e afirmam que o percentual retido é ainda maior.

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Pelas contas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o corte de 30% no orçamento representa aproximadamente R$ 65 milhões a menos no caixa.

A reitoria da UFMG diz que o bloqueio põe em risco serviços básicos como o fornecimento de energia. E se o refrigerador for desligado, só numa gaveta são R$ 30 mil em reagentes usados em pesquisas que podem ser perdidos.

“95% das pesquisas realizadas no país são feitas nas universidades. Isso são pesquisas de ponta, importantes para o país, quer seja na área de saúde sobre chikungunya, dengue, quer seja em várias outras áreas do conhecimento. Então esse impacto será sentido ao longo dos anos”, disse a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida.

No Instituto Federal da Bahia (IFBA), os professores temem que seja preciso fechar algumas turmas. A reitoria afirma que o orçamento do IFBA, que oferece cursos técnicos e de nível superior, vai sofrer um bloqueio de mais de R$ 24 milhões. “Vai implicar em redução de pagamento de segurança, energia, luz, telefone, o que pode, no pior dos casos, fazer com que a gente reduza a nossa oferta de cursos, de vagas”, disse Antônio Bitencourt, professor da IFBA.

Houve protestos em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e em Vitória, no Espírito Santo, na sexta-feira (3).

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) disse que o corte de 30% representa menos R$ 48 milhões no orçamento. “Não há ajuste possível dentro das contas da universidade que torne viável que nós cheguemos até o final do ano com 30% a menos”, declarou o reitor Ricardo Marcelo Fonseca.

A reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) afirma que R$ 56 milhões a menos pode comprometer o funcionamento do segundo semestre e prejudicar a qualidade do ensino.

De acordo com a Universidade Federal do Tocantins (UFT), o corte de R$ 13 milhões também vai afetar o desenvolvimento de projetos. “Considerando que as universidades, elas respondem pelo maior volume de pesquisa, inovação, ciência e tecnologia no país. E não há como pensar em soberania nacional, sem investir em conhecimento”, afirmou o reitor Luís Eduardo Bovolato.

O corte de verbas também atinge a primeira e maior universidade federal do país, a do Rio de Janeiro e, pelas contas da reitoria da UFRJ, o bloqueio vai ser ainda maior: 41% e não 30%, como anunciado pelo governo. São R$ 114 milhões a menos, dinheiro que, de acordo com a universidade, vai prejudicar o funcionamento da instituição, comprometendo até o pagamento de contas de água e luz, contratos de limpeza e de segurança.

Mas não foram só os ensinos superior e técnico que foram atingidos pela medida. A mais antiga instituição de ensino básico federal do país, o tradicional Colégio Pedro II, no Rio, calcula que vai perder mais de 30% do orçamento previsto para 2019, o que representa R$ 18,5 milhões.

“Nós temos contratos mantidos com a iniciativa privada, contratos celebrados, e o bloqueio de 30% certamente levará a todos, não somente Colégio Pedro II, a não honrar os contratos firmados”, disse o reitor Oscar Halac.

Fundado em 1837, o colégio tem quase 13 mil alunos da educação infantil ao ensino médio, em 14 unidades.

Neste sábado (4), no Rio Grande do Sul, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que o bloqueio de verbas pode ser revertido se a arrecadação melhorar.

“Não é corte, é contingenciamento. A arrecadação está baixa, todos os ministérios sofreram esse contingenciamento. Nós esperamos que, no segundo semestre, com a aprovação da nova Previdência, a arrecadação melhore e, em consequência, esse recurso vai retornar”, afirmou.

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