Esquerda derrota bloco de direita de Angela Merkel nas eleições alemãs

Esquerda derrota bloco de direita de Angela Merkel nas eleições alemãs

Esquerda derrota bloco de direita de Angela Merkel nas eleições alemãs

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Os social-democratas (SPD), de centro-esquerda, conquistaram a maior parcela dos votos nas eleições nacionais da Alemanha, derrotando o bloco de centro-direita da chanceler Angela Merkel em uma disputa acirrada. Autoridades eleitorais disseram na manhã dessa segunda-feira, (27), que uma contagem de todos os 299 constituintes mostrou que os sociais-democratas obtiveram 25,9% dos votos, à frente de 24,1% para os conservadores.

Os ambientalistas Verdes ficaram em terceiro com 14,8%, seguidos pelo Partido Liberal Democrático (PDL) com 11,5%. Os dois partidos já sinalizaram que estão dispostos a discutir a formação de uma aliança tríplice com qualquer um de seus dois maiores rivais para formar um governo.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita ficou em quarto lugar na votação, com 10,3%, enquanto o partido A Esquerda ficou com 4,9%. Pela primeira vez desde 1949, o partido minoritário dinamarquês SSW deveria ganhar uma cadeira no Parlamento, disseram autoridades.

Os alemães foram às urnas neste domingo, 26, para escolher quem deve comandar a maior economia da Europa. As primeiras projeções já confirmavam o que apontavam as pesquisas: uma disputa acirrada, mas com pequena vantagem para os social-democratas, liderados por Olaf Scholz, que larga na frente para substituir Merkel.

No início da noite, o clima já era de festa na Willy-Brandt-Haus, QG do SPD em Berlim. Apesar da divulgação dos primeiros resultados, os números consolidados levarão uma ou duas semanas, de acordo com autoridades eleitorais.

Se o domingo teve um vencedor, o SPD, a União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, foi a derrotada. Apesar de ter obtido pouco mais de 24% dos votos, praticamente empatando com o SDP, os conservadores tiveram a pior votação de sua história – quase 9 pontos porcentuais a menos que na eleição passada, em 2017.

Apagadas as luzes da eleição, a política alemã entra agora em uma nova fase, a das negociações. As próximas semanas serão de longas conversas entre as lideranças. Após anos de coalizões entre dois partidos, há indícios de que serão necessárias três legendas para formar uma maioria desta vez.

Preferência

É comum, nos sistemas parlamentaristas, que o chefe de Estado nomeie um partido para formar o governo, geralmente o que teve mais votos. Mas, na Alemanha, todos podem participar das primeiras conversas. Nesta fase inicial, nada impede que haja negociações paralelas entre os líderes, mas a tradição diz que o vencedor da eleição – no caso o SPD – tenha preferência para formar uma coalizão.

“Quem chegar com uma maioria no Bundestag (Parlamento) será o chanceler”, disse Armin Laschet, líder da CDU, na semana passada, ao sugerir que o segundo partido mais votado também poderia abrir negociações. Na teoria, é possível. Na prática, porém, isso nunca aconteceu na Alemanha.

Não existe um prazo definido para o fim das negociações, embora o Parlamento tenha de realizar sua sessão inaugural no máximo até 30 dias depois da eleição, em 26 de outubro. Enquanto isso, o governo vigente permanece no poder de forma interina, o que daria a Merkel mais alguns meses como chanceler.

O pior cenário seria um impasse. A eleição passada foi realizada no dia 24 de setembro de 2017, mas Merkel só foi confirmada como chanceler em uma coalizão entre CDU-CSU com os social-democratas do SPD em 14 de março de 2018. Prevendo uma repetição da crise, os dois líderes, Scholz e Laschet, disseram hoje que pretendem resolver a discussão “antes do Natal”.

Portanto, a questão passa a ser quais serão as combinações possíveis diante da bancada de cada partido no Parlamento. Os alemães costumam dar nomes às coalizões. A “Groko” – ou Grande Coalizão, seria uma aliança entre SPD e CDU, repetindo a fórmula que deu governabilidade a Merkel nos últimos quatro anos – só que com os social-democratas na liderança.

Outra possibilidade é uma aliança batizada de “Quênia”, em referência às cores da bandeira queniana, entre SPD (vermelho), CDU (preto) e os verdes. Seguindo a mania nacional, de nomear um acordo político de acordo com as bandeiras de um país, também existe a chance de uma coalizão “Alemanha”, entre SPD (vermelho), CDU (preto) e FDP (amarelo). Por fim, muito se fala de uma coalizão “Jamaica”, entre CDU, FDP e os verdes – embora a possibilidade seja mais remota, porque implicaria na ausência dos social-democratas.

Sem muita convicção

Para muitos alemães, a sensação foi de votar “no menos pior”. Em entrevista ao Estadão, o profissional de TI, que preferiu se identificar apenas como Tino, explicou que tem esperanças de que o SPD volte às suas raízes de ser um partido dos trabalhadores, por isso optou pela legenda, não necessariamente por Scholz. “Angela Merkel fez um bom trabalho, a maioria de nós sentirá falta dela. Mas ela nunca conseguiu controlar o partido se pensarmos em corrupção e mentiras”, afirmou ele, ao explicar sua escolha.

Tino afirma que, para ele, o mais importante é evitar que Laschet chegue ao poder. “Scholz é como o mal menor a ser enfrentado”, diz.

Jessy, uma jovem de 29 anos que também pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome, conta que, apesar de não concordar com a campanha do SPD, vê Laschet como o único candidato plausível. “Baerbock seria uma chanceler boa e revigorante, mas ela precisa se impor e definir seus objetivos para o Partido Verde – seus objetivos são nobres, mas a forma de alcançá-los pune as pessoas normais”, diz. “E Laschet…ele simplesmente não está apto a ser um chanceler.”

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