Opinião | ‘Elefante branco’ de Manaus, Arena da Amazônia completa 7 anos e continua dando prejuízo aos cofres públicos

Opinião | ‘Elefante branco’ de Manaus, Arena da Amazônia completa 7 anos e continua dando prejuízo aos cofres públicos

Opinião | ‘Elefante branco’ de Manaus, Arena da Amazônia completa 7 anos e continua dando prejuízo aos cofres públicos

Estádio custou R$ 669,5 milhões (quase R$ 200 milhões acima do previsto)

Braga e Omar foram alvos de investigação da Lava Jato por corrupção na Arena da Amazônia

Em Mato Grosso, Arena Pantanal, virou Arena da Educação

No dia 19 de março de 2010, uma década antes da pandemia de Covid-19 tomar o mundo de assalto, o então governador do Amazonas, Eduardo Braga, lançou a pedra fundamental da Arena da Amazônia, em Manaus.

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Na ocasião, o vice-governador do estado, Omar Aziz, disse que o estádio tornaria o Amazonas um lugar atrativo para mundo e que a Copa do Mundo “contribuiria para o impacto positivo na economia e qualidade de vida da população”.

Aditivo de R$ 200 milhões

Inicialmente orçada em R$ 499.5 milhões, pela Construtora Andrade Gutierrez, a Arena da Amazônia foi entregue em 2014 com um atraso de quase um ano e depois de consumir R$ 669,5 milhões (quase R$ 200 milhões acima do previsto).

Hoje entregue às moscas, o elefante branco completou 7 anos neste mês de março, e se destaca na paisagem como uma estrutura ociosa, a poucos metros de duas unidades hospitalares da capital.

Localizado em uma das avenidas mais movimentas de Manaus, é impossível não se incomodar com esse “elefante branco” todas as vezes que se passa pela Constantino Nery.

O valor gasto com a arena daria para comprar 12 milhões de doses da vacina CoronaVac. O suficiente para vacinar 3 vezes toda a população do Amazonas.

Ou pagar o auxílio emergencial estadual para 100 mil famílias por quase três anos.

‘Hospitais padrão FIFA’

Na época a construção do estádio gerou polêmica. Muitos amazonenses argumentaram que um estado com o sistema de saúde, de esgoto e educação precários não deveria desviar recursos para um campeonato de futebol.

Quando a construção começou, o alto custo e os constantes aumentos de valores nos contratos alimentaram uma onda de protestos, com uma reivindicação comum: “Queremos hospitais padrão FIFA!”.

Nada melhor que o tempo…

O tempo sempre traz respostas, esclarece dúvidas, e acima de tudo, o tempo traz verdades.

Denúncias de corrupção

Também é importante lembrar que o estádio foi alvo de investigação da Lava Jato por denúncias de corrupção, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.

Os ex-executivos da construtora Andrade Gutierrez, investigados na Operação Lava Jato, revelaram em delação premiada que pagaram propina aos ex-governadores do Amazonas Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD), que, atualmente, são senadores pelo estado.

Justiça Estadual do Amazonas

Em 2019 a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão do ministro Ricardo Lewandowski que determinou o declínio do inquérito instaurado contra o senador Eduardo Braga (MDB) para a Justiça Estadual do Amazonas.

Dodge defendeu que a investigação fosse remetida à Justiça Federal no Amazonas.

Hoje o processo se encontra parado na justiça estadual.

Manutenção milionária

Segundo a Fundação Amazonas de Alto Rendimento, órgão estadual que administra os espaços esportivos do estado, os gastos com a manutenção do estádio são de cerca de R$ 1 milhão por mês.

Um rombo que não tem fim, e só piora.

Já está mais que na hora de buscar uma melhor utilização do seu espaço ou de parcerias público-privadas para conseguir diminuir o custo de manutenção do estádio.

Arena da Educação

O estado de Mato Grosso é um exemplo, foi pioneiro e saiu na frente ao transformar em 2017 parte da estrutura da Arena Pantanal, em Cuiabá, no primeiro estádio-escola do Brasil.

O projeto “Arena da Educação” é um sucesso, alinhando o ensino regular à prática esportiva.

Fica a sugestão do Direto ao Ponto aos políticos do Amazonas.

 

 

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